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UM PONTO NO MUNDO

"Dê-me um ponto de apoio e eu moverei o mundo." - Arquimedes (Físico / Matemático)

UM PONTO NO MUNDO

"Dê-me um ponto de apoio e eu moverei o mundo." - Arquimedes (Físico / Matemático)

Ensino de Conceitos - fundamentos teóricos

"Turma, hoje vamos aprender o conceito de ilha!" 

 

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Planificar e orientar uma aula de conceitos envolve ideias e preocupações que vão muito para além de uma simples decisão de ensinar conceitos. Diversos teóricos, filósofos e investigadores têm direcionado os seus trabalhos para o ensino de conceitos, nomeadamente o desenvolvimento de conceitos e a forma como a nossa mente funciona. 
A primeira ideia que gostaria de deixar é a de que os conceitos podem ser categorizados, de acordo com as estruturas de regras que definem a sua utilização. Neste sentido, podemos diferenciar três conceitos: conceito disjuntivo - quando os atributos críticos combinam-se de forma aditiva e são sempre os mesmos (exemplo: triângulo - figura plana, fechada, com três lados e três ângulos) - conceito disjuntivo - permite um conjunto alternativo de atributos (exemplo: conceito de falta no futebol) - e conceito relacional - a regra estruturante depende das relações (exemplo: conceito de tia). Importa esclarecer que os atributos eslcarecem os conceitos e ajudam à sua definição. Existem dois tipos de atributos: os críticos e os não críticos. Os críticos permitem diferenciar um conceito em relação a outros e os atributos não-críticos são encontrados em alguns, mas não em todos, os membros de uma determinada classe. Uma ave terá como atributos críticos penas, patas e sangue quente. Contudo, nem todas as aves têm a capacidade de voar, nem todas as aves têm penas da mesma cor e em algumas aves as patas contêm membrana. Estes seriam os atributos não-críticos das aves. Outra ideia a reter, em relação aos conceitos, e a de que estes são apreendidos através da identificação de exemplos e de não-exemplos de forma a assegurar que o conceito é bem compreendido. Ou seja, para o conceito de ilha identificaríamos exemplos como Madeira, Cuba e Gronelândia, e Tróia e Flórida como não-exemplos do conceito de ilha. Os conceitos com atributos críticos em constante alteração são muitas vezes referidos nas ciências sociais e são definidos de acordo com o contexto social e cultural em que são utilizados (o conceito de pobreza nos EUA tem um significado diferente do que a pobreza num país africano em vias de desenvolvimento). 

 

Como planificar uma aula de ensino de conceitos?  

Uma aula de ensino de conceitos requer uma planificação consciente e cuidada. Para tal, existem etapas-chave que nos permitem responder a essa exigência: 

 

1. Selecionar os conceitos ( o currículo é a principal fonte de seleção de conceitos a ensinar. Podem estar implícitos nos manuais escolares, e em alguns casos os conceitos-chave são listados como vocabulário a desenvolver no decurso da unidade).

 

2. Determinar a abordagem a utilizar (o professor poderá adoptar duas abordagens: apresentação direta e aquisição de conceitos - ver desenvolvimentos na publicação seguinta). 

 

3. Definir conceitos (respeitando três passos: identificar o nome do conceito, listar os atributos críticos e não-críticos, escrever uma definição concisa). 

 

4. Analisar conceitos. 

 

5. Identificar e sequenciar exemplos e não-exemplos. 

 

6. Utilizar imagens visuais (os organizadores gráficos e redes conceptuais são formas de representação visual. Ajudam a salientar os atributos críticos de um conceito e a torna-lo mais concreto para o aluno. Consistem, geralmente, em quatro passos: 1 – elemento central que funcione como o núcleo da rede (nome do conceito); 2 – linhas da rede que saem do centro, que representam os atributos críticos do conceito; 3 – suportes das linhas da rede que ligam os atributos críticos ao conceito; 4 –elos da rede que mostram as relações entre os atributos). 

 

7. Planificar a utilização do tempo e espaço. 

 

 

Como orientar uma aula de ensino de conceitos? 

Fase 1: apresentar os objetivos e estabelecer a prontidão. O professor deve comunicar quais são os objetivos da aula e a forma como esta irá decorrer. Poderá também descrever os passos da aula e explicar aos alunos a importância de aprender os conceitos prestes a serem ensinados.

 

Fase 2: apresentar exemplos e não-exemplos. Varia de acordo com a abordagem que o professor pretende utilizar: apresentação direta ou aquisição de conceitos.

 

Fase 3: testar a aquisição. É pedido aos alunos que apresentem os seus próprios exemplos e não-exemplos do conceito.

 

Fase 4: analisar o raciocínio e integrar a aprendizagem. O professor leva os alunos a pensarem sobre os seus próprios processos de raciocínio. O professor ajuda os alunos a integrar a nova aprendizagem, relacionando o conceito com outros conceitos da mesma unidade de estudo.

 

 

 

(a questão do ensino de conceitos continuará a ser abordada na publicação seguinte, nomeadamente o aprofundamento das abordagens a utilizar - aquisição de conceitos e apresentação direta -, e a identificação de um instrumento de análise de conceitos e sobre a sua pertinência de ensino)

 

 

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